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Terça-feira, 04 de Agosto 2026
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Migrar é um direito. Pertencer também deveria ser.

Pertencer não significa abandonar a própria história. Significa encontrar espaço para continuar escrevendo-a. O apagamento identitário não deveria ser regra em um processo imigratório.

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Por Rede Cidadania Digital
Migrar é um direito. Pertencer também deveria ser.
Janaelle Neri
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Quando pensamos em imigração, quase sempre lembramos dos documentos, dos vistos, das autorizações de residência e das fronteiras. Tudo isso é importante. Mas existe uma dimensão menos visível da imigração: a necessidade humana de encontrar um lugar onde sejamos reconhecidos, acolhidos e possamos construir novos vínculos.

A burocracia é necessária para organizar os Estados, mas quando se torna excessiva ou inacessível pode transformar um direito em um privilégio. Muitas pessoas não desistem dos seus projetos por falta de capacidade, mas pelo desgaste de percorrer caminhos burocráticos longos, pouco claros e, por vezes, desumanizados.

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Pertencer não significa abandonar a própria história. Significa encontrar espaço para continuar escrevendo-a. O apagamento identitário não deveria ser regra em um processo imigratório.

Ao longo da minha caminhada em Portugal descobri algo que não esperava. Embora tenha deixado a minha família no Brasil, encontrei entre muitos africanos dos países de língua portuguesa um profundo sentimento de acolhimento. Não foi apenas uma relação institucional. Foi um reconhecimento humano. Encontrei pessoas que me ensinaram que a Lusofonia pode ser mais do que uma herança linguística: pode ser uma comunidade de cuidado, respeito e construção coletiva.
Essa experiência reforçou em mim uma convicção: cidadania também é criar condições para que alguém se sinta parte de uma sociedade.

O direito de pertencer nasce quando uma pessoa consegue estudar, trabalhar, participar da vida pública, estabelecer relações de confiança e contribuir com aquilo que sabe fazer. Uma sociedade torna-se mais forte quando deixa de perguntar apenas "de onde você veio?" e passa a perguntar "como podemos construir juntos?".

Em um mundo marcado por deslocamentos, conflitos e mudanças constantes, precisamos compreender que acolher não é um gesto de caridade. É um investimento na própria democracia. Pessoas que pertencem cuidam dos lugares onde vivem, fortalecem instituições, produzem conhecimento, geram riqueza e ampliam as possibilidades de diálogo entre culturas.
Defender o direito de pertencer é defender uma cidadania que ultrapassa documentos. É reconhecer que nenhuma sociedade se constrói apenas com leis, mas também com relações humanas capazes de transformar estrangeiros em vizinhos, vizinhos em parceiros e parceiros em comunidade.
Porque migrar pode mudar um endereço. Mas pertencer transforma um destino.

Janaelle Neri é Diretora da CPLP na Câmara de Comércio e Indústria de Angola e Moçambique, integrante do Conselho Consultivo da Oportunidades CPLP e idealizadora do Seminário de Empreendimentos de Impacto Social em Países de Língua Portuguesa Correspondente Internacional da Rede Cidadania Digital

FONTE/CRÉDITOS: Janaelle Neri

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