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Sexta-feira, 02 de Outubro 2026
Tecnologia & Inovação

Jaci do Riachão: da comunicação popular à análise política que ganhou projeção nas redes da Bahia

Moradora de Riachão do Jacuípe, comunicadora e profissional de Marketing, Jaci Lima transformou a experiência construída no interior baiano em uma atuação digital marcada pela linguagem popular, análise política e debate sobre consciência de classe

Rede Cidadania Digital
Por Rede Cidadania Digital
Jaci do Riachão: da comunicação popular à análise política que ganhou projeção nas redes da Bahia
Jaciara - Jaci do Riachão
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No interior da Bahia, onde a política costuma atravessar as conversas de praça, feira, rádio, comércio e comunidades, uma nova geração de comunicadores vem encontrando nas redes sociais um espaço para ampliar vozes que durante muito tempo ficaram restritas aos meios tradicionais. Entre esses nomes está Jaci Lima, a Jaci do Riachão, comunicadora popular, profissional de Marketing e pós-graduada em Marketing Político, que vem construindo uma presença cada vez mais expressiva no ambiente digital.

Natural do distrito de Pereira, em Santa Luz, Jaci, 37 anos, vive em Riachão do Jacuípe desde a infância. É dessa relação construída ao longo de décadas com o cotidiano do interior baiano que emerge boa parte da identidade de sua comunicação: direta, coloquial, provocativa e profundamente conectada à realidade de quem acompanha a política não apenas pelos grandes centros, mas pelas experiências concretas vividas nos municípios.

Nas redes sociais, Jaci se apresenta como “Jaci Lima | Política & Consciência de Classe” e reúne em sua produção temas como política, atualidades, religião e questões sociais. A própria descrição de seu trabalho sintetiza a proposta: “Política sem filtro”, combinada à perspectiva nordestina e à discussão sobre consciência de classe.

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Do rádio à comunicação digital

A trajetória de Jaci não começou nas redes sociais. Antes de alcançar projeção como criadora de conteúdo, ela passou pelo rádio e pela assessoria de comunicação, experiências que contribuíram para a construção de uma percepção sobre linguagem, notícia, opinião pública e relacionamento com diferentes públicos.

A formação em Marketing e a posterior especialização em Marketing Político acrescentaram outra dimensão ao percurso profissional. A comunicação deixou de ser apenas instrumento de divulgação para se transformar também em ferramenta de interpretação dos movimentos políticos, dos discursos públicos e das estratégias utilizadas por personagens e grupos que disputam espaço no debate social.

Essa combinação entre experiência prática e formação técnica aparece no modo como Jaci constrói seus conteúdos. Em vez de reproduzir uma linguagem excessivamente acadêmica, ela procura traduzir temas complexos para o vocabulário cotidiano, aproximando a discussão política de um público que nem sempre se identifica com a comunicação tradicional.

É justamente nessa fronteira entre comunicação popular, marketing, cultura digital e análise política que seu trabalho vem ganhando identidade própria.

A política vista a partir do interior

Um dos aspectos que diferenciam a trajetória de Jaci é o lugar de onde ela fala.

A Bahia possui uma das maiores diversidades territoriais e culturais do país, e a dinâmica política do interior apresenta características próprias. Municípios pequenos e médios possuem relações sociais, econômicas e políticas que nem sempre encontram espaço proporcional nos grandes veículos de comunicação.

É nesse cenário que a atuação de comunicadores locais ganha relevância.

Ao falar de política a partir de Riachão do Jacuípe, Jaci não se limita a comentar acontecimentos nacionais ou estaduais. Sua produção também dialoga com a política municipal, com personagens regionais e com questões que atravessam a vida cotidiana do interior.

Essa perspectiva permite que o debate político seja apresentado a partir de referências próximas ao público. A política deixa de aparecer somente como disputa entre figuras conhecidas dos grandes centros e passa a ser relacionada a temas como trabalho, desigualdade, serviços públicos, religião, comportamento, relações de poder e condições de vida.

Uma linguagem que aproxima

Parte da força da comunicação de Jaci está justamente na linguagem.

O uso de expressões populares, humor, ironia e referências presentes no cotidiano nordestino cria uma comunicação diferente da tradicional fala política institucional. É uma linguagem construída para as redes, na qual a espontaneidade se transforma em elemento de conexão com a audiência.

Essa característica também ajuda a explicar o crescimento de seu perfil.

Segundo as informações apresentadas sobre sua trajetória, em aproximadamente 90 dias de maior atividade nas redes, Jaci teria ultrapassado 55 mil seguidores no Instagram e 28 mil no TikTok. Um dos momentos de maior repercussão ocorreu após um vídeo em resposta ao empresário e influenciador Kaká Diniz, conteúdo que, segundo os dados fornecidos, ultrapassou 2,5 milhões de visualizações.

Mais do que números, episódios como esse demonstram a capacidade de um conteúdo produzido fora dos grandes centros de alcançar públicos muito além de sua origem territorial.

A transformação de uma comunicadora em referência de debate

A evolução de Jaci também pode ser observada na própria natureza de seu conteúdo.

O que inicialmente se apoia na comunicação popular e na presença cotidiana nas redes passa a incorporar uma leitura mais estruturada dos acontecimentos políticos. A formação em Marketing Político contribui para que temas relacionados à comunicação eleitoral, posicionamento público, construção de narrativas e comportamento político façam parte de sua abordagem.

Essa transformação é especialmente significativa em um momento em que as redes sociais se consolidaram como espaços importantes de disputa narrativa.

Hoje, a comunicação política não acontece apenas em palanques, programas de televisão, jornais ou comícios. Ela também está nos vídeos curtos, comentários, transmissões ao vivo, memes, cortes e publicações compartilhadas milhares de vezes.

Nesse ambiente, Jaci encontrou uma linguagem própria e passou a ocupar um espaço que combina comentário político, comunicação popular e interpretação da conjuntura.

Repercussão e controvérsias também fazem parte da trajetória

A expansão da presença digital trouxe também exposição a conflitos e questionamentos jurídicos.

Em agosto de 2026, veículos de imprensa noticiaram que a Justiça Eleitoral da Bahia condenou Jaci Lima ao pagamento de multa de R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada negativa relacionada a um vídeo publicado em seu perfil. A representação havia sido apresentada pela coligação Unidos Para Mudar a Bahia, e o caso envolvia conteúdo crítico dirigido a Zé Cocá, então apresentado como integrante de uma chapa ao governo estadual.

Em setembro de 2026, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia também registrou uma representação envolvendo Jaciara Santos Lima e publicações no perfil @jaciriachao, em processo que discutia alegações relacionadas a propaganda eleitoral antecipada, internet e uso de inteligência artificial. O documento judicial registra as alegações da parte representante; portanto, elas devem ser entendidas como alegações processuais, e não como fatos definitivamente estabelecidos.

Os episódios ajudam a demonstrar uma característica inerente à comunicação política contemporânea: à medida que um comunicador amplia seu alcance, seus conteúdos passam a produzir repercussões que extrapolam as redes e podem alcançar o campo institucional e jurídico.

“Consciência de classe” como eixo editorial

A expressão escolhida por Jaci para definir seu posicionamento — “Consciência de Classe” — também revela uma opção editorial.

Sua comunicação procura interpretar a política a partir das relações entre diferentes grupos sociais e econômicos, colocando no centro do debate temas relacionados às desigualdades, aos direitos sociais e às condições concretas de vida da população.

Trata-se de uma abordagem assumidamente identificada com o campo político da esquerda, conforme a própria apresentação pública de seu trabalho. Essa identificação faz parte de sua persona comunicacional e diferencia seu conteúdo de uma cobertura política estritamente informativa.

Ao mesmo tempo, seu percurso evidencia uma tendência mais ampla: a transformação de cidadãos, profissionais de comunicação e produtores independentes em protagonistas do debate público por meio das plataformas digitais.

Do Riachão para uma audiência além das fronteiras da Bahia

A história de Jaci Lima carrega, portanto, uma dimensão que vai além do crescimento de uma página nas redes sociais.

Ela representa a trajetória de uma profissional que construiu sua experiência em meios tradicionais de comunicação, buscou formação especializada, incorporou ferramentas do Marketing ao trabalho político e encontrou nas plataformas digitais um espaço para ampliar sua voz.

O ponto de partida continua sendo Riachão do Jacuípe. Mas a audiência construída nas redes ultrapassa as fronteiras do município e alcança diferentes regiões.

Essa expansão também modifica a relação entre centro e periferia na produção de informação política. Se durante décadas os grandes veículos concentraram a capacidade de definir quais personagens e acontecimentos mereciam atenção pública, as redes sociais abriram espaço para que comunicadores do interior produzam suas próprias narrativas e disputem audiência diretamente.

É nesse território que Jaci vem construindo sua trajetória.

Uma voz em construção

A história de Jaci do Riachão ainda está em movimento.

Aos 37 anos, sua trajetória reúne elementos de diferentes campos: comunicação popular, rádio, assessoria, Marketing, Marketing Político, produção de conteúdo e análise da conjuntura. A combinação dessas experiências explica parte da identidade que vem consolidando nas redes.

Sua declaração de que, neste momento, não pretende disputar cargos eletivos reforça outro aspecto de seu percurso: a opção por permanecer no campo da comunicação e do debate público, utilizando as ferramentas digitais como espaço de expressão e análise.

Mais do que uma influenciadora que alcançou números expressivos, Jaci Lima se apresenta como parte de uma geração de comunicadores que nasceu ou se fortaleceu fora dos grandes centros e encontrou na internet a possibilidade de falar diretamente com milhares de pessoas.

De Riachão do Jacuípe para uma audiência que cresce para além do interior baiano, Jaci do Riachão transformou sua experiência local em uma plataforma de comunicação política, combinando identidade nordestina, formação profissional e linguagem popular.

Sua evolução acompanha uma mudança maior na própria política brasileira: a comunicação já não pertence exclusivamente aos palanques, partidos, jornais ou emissoras. Ela também é produzida diariamente por pessoas que, munidas de um celular, repertório e disposição para interpretar a realidade, conseguem transformar uma conversa do interior em conteúdo de alcance nacional.

FONTE/CRÉDITOS: com informações das redes sociais

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