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Sexta-feira, 02 de Outubro 2026
Política

SAMU SOCIAL: ENTENDER PARA CONSTRUIR

A escuta dos territórios permitiu perceber algo fundamental: A VIDA DAS PESSOAS NÃO É DIVIDIDA EM SECRETARIAS.

Rede Cidadania Digital
Por Rede Cidadania Digital
SAMU SOCIAL: ENTENDER PARA CONSTRUIR
Richard Widmarck Matheus Tinoco com Auxilio da IA - Inteligência Artificial
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                                                                                                       Por Richard Widmarck Matheus Tinoco*

Companheiras e companheiros,

Para apresentar o SAMU SOCIAL ao companheiro Patrus Ananias, nessa sua caminhada para ser Governador de Minas Gerais, primeiro precisamos compreender a ideia política e social que está por trás do SAMU SOCIAL.

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Essa compreensão parte de uma constatação muito simples: existem diversas políticas públicas destinadas a proteger a população em situação de vulnerabilidade, mas muitas vezes elas são organizadas e executadas de forma estanque, como se os problemas enfrentados pelas pessoas também estivessem separados.

A proposta de integração que deu origem ao SAMU SOCIAL nasceu da metodologia da ESCUTA CORDIAL, elaborada pela WidTech e desenvolvida, no âmbito dessa construção, pelo Coletivo Paulo Faria, pela CMP – Central de Movimentos Populares, pela CPT – Comissão Pastoral da Terra, pelo MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos e pelos Núcleos Cidadania Plena.

A escuta dos territórios permitiu perceber algo fundamental:

A VIDA DAS PESSOAS NÃO É DIVIDIDA EM SECRETARIAS.

Quem perde o emprego pode perder renda.

Quem perde renda pode enfrentar insegurança alimentar.

Quem enfrenta insegurança alimentar pode adoecer.

Quem não consegue pagar o aluguel pode sofrer despejo.

Uma criança dessa mesma família pode começar a faltar à escola.

Para essa família, não existem cinco problemas independentes.

Existe uma situação de vulnerabilidade que vai se agravando e atingindo diferentes dimensões da vida.

Por isso, o SAMU SOCIAL propõe que as políticas públicas aprendam a enxergar conjuntamente aquilo que as pessoas vivem conjuntamente.

IDENTIFICAR → CONECTAR → ANTECIPAR → ACIONAR → ACOMPANHAR


NÃO SUBSTITUIR. CONECTAR.

O SAMU SOCIAL não pretende substituir CRAS, CREAS, SUS, SUAS, segurança alimentar, habitação, educação, políticas para mulheres, idosos, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência ou políticas de trabalho e renda.

Ao contrário.

O princípio é reconhecer e fortalecer aquilo que já existe, criando condições para que essas políticas conversem entre si e funcionem como uma verdadeira rede de proteção.

O desafio é acrescentar a essa rede uma capacidade fundamental:

CHEGAR ANTES.

Antes que a perda de renda se transforme em fome.

Antes que o aluguel atrasado termine em despejo.

Antes que uma situação de fragilidade se transforme em abandono.

Antes que diferentes vulnerabilidades acumuladas produzam uma emergência social.


O ESTADO PRECISA APRENDER A ANTECIPAR.

Uma criança começa a faltar repetidamente à escola.

Uma família aumenta a procura por alimentação.

O aluguel começa a acumular atrasos.

Um idoso deixa de comparecer às consultas.

Uma trabalhadora perde sua principal fonte de renda.

Separadamente, essas situações podem chegar a diferentes políticas públicas.

Quando conectadas, porém, podem revelar algo muito maior:

UMA VULNERABILIDADE ESTÁ SE FORMANDO OU SE AGRAVANDO.

É nesse momento que a proteção pública pode fazer a diferença.

Não apenas respondendo depois que a emergência aconteceu, mas identificando os sinais e mobilizando a rede para tentar impedir que ela aconteça.


PRIMEIRO RECONHECER QUEM JÁ FAZ.

O SAMU SOCIAL não começa propondo criar tudo novamente.

Começa reconhecendo as capacidades existentes nos territórios.

O QUE JÁ EXISTE?

QUEM JÁ FAZ?

QUEM CONHECE ESSA REALIDADE?

ONDE A REDE ESTÁ FUNCIONANDO?

ONDE AS POLÍTICAS NÃO ESTÃO CONSEGUINDO SE CONECTAR?

O QUE PODERIA TER SIDO PERCEBIDO ANTES?

Servidores públicos, movimentos sociais, associações comunitárias, universidades, entidades, profissionais, lideranças populares e a própria população acumulam conhecimentos fundamentais sobre seus territórios.

Por isso, a participação popular não deve acontecer somente depois que uma política pública estiver pronta.

A PARTICIPAÇÃO POPULAR PRECISA FAZER PARTE DA CONSTRUÇÃO DA PRÓPRIA POLÍTICA.


DA ESCUTA CORDIAL À CONSTRUÇÃO COLETIVA.

A metodologia que sustenta essa proposta pode ser resumida em um caminho:

RECONHECER → ESCUTAR → CONSTRUIR → INTEGRAR → ANTECIPAR → AGIR → AVALIAR

Isso muda inclusive a maneira de dialogar com os territórios.

Em vez de chegar dizendo:

“Temos uma solução pronta para vocês.”

Começar perguntando:

“O que vocês já fazem?”

“O que vocês estão percebendo?”

“O que já funciona?”

“Onde a rede está falhando?”

“O que poderia ser percebido antes?”

“E o que podemos construir juntos?”


UM NOVO DESAFIO.

É justamente aqui que o SAMU SOCIAL encontra um importante ponto de diálogo com a trajetória pública de Patrus Ananias.

Sua atuação política foi marcada pela defesa de direitos sociais e por experiências relacionadas à integração de políticas de combate à fome, transferência de renda, assistência social, segurança alimentar e participação popular.

O SAMU SOCIAL coloca diante dessa trajetória um novo desafio:

COMO FAZER O ESTADO CHEGAR ANTES?

Como perceber que uma família está caminhando para uma situação extrema antes que ela chegue lá?

Como fazer educação, saúde, assistência social, habitação, segurança alimentar, trabalho e renda e outras políticas compartilharem responsabilidades em torno da mesma realidade?

Como transformar conhecimento territorial, participação popular, dados e experiência dos trabalhadores públicos em capacidade de antecipação?


O PAPEL DA MILITÂNCIA COMEÇA PELA ESCUTA.

Por isso, apresentar o SAMU SOCIAL não significa apenas divulgar uma proposta.

Significa continuar sua construção.

Significa conversar com quem conhece a realidade.

Identificar experiências.

Reconhecer capacidades.

Escutar trabalhadores e comunidades.

Registrar os problemas encontrados nos territórios.

Identificar onde as políticas não estão conseguindo se conectar.

E transformar esse conhecimento em construção coletiva de política pública.

Essa é também a essência da ESCUTA CORDIAL:

RECONHECER QUEM JÁ FAZ.

ESCUTAR QUEM CONHECE.

CONSTRUIR COM QUEM VIVE A REALIDADE.

INTEGRAR QUEM PODE RESPONDER.

ANTECIPAR ANTES DO AGRAVAMENTO.


O SAMU SOCIAL pode ser resumido em quatro movimentos:

DA FRAGMENTAÇÃO À INTEGRAÇÃO.

DA REAÇÃO À ANTECIPAÇÃO.

DA ESCUTA À CONSTRUÇÃO COLETIVA.

DA VULNERABILIDADE IDENTIFICADA À PROTEÇÃO ACIONADA.


E toda essa construção pode ser traduzida em uma ideia muito simples:

O ESTADO NÃO PRECISA ESPERAR A VIDA DESMORONAR PARA COMEÇAR A PROTEGER.


*Richard Widmarck Matheus Tinoco
Jornalista – DRT 18.335
Coordenador da Jornalistas Sem Fronteiras
Coordenador do Coletivo Paulo Faria
Diretor Executivo da Startup WidTech

FONTE/CRÉDITOS: Richard Widmarck Matheus Tinoco

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