Por Richard Widmarck Matheus Tinoco*
Companheiras e companheiros,
Para apresentar o SAMU SOCIAL ao companheiro Patrus Ananias, nessa sua caminhada para ser Governador de Minas Gerais, primeiro precisamos compreender a ideia política e social que está por trás do SAMU SOCIAL.
Essa compreensão parte de uma constatação muito simples: existem diversas políticas públicas destinadas a proteger a população em situação de vulnerabilidade, mas muitas vezes elas são organizadas e executadas de forma estanque, como se os problemas enfrentados pelas pessoas também estivessem separados.
A proposta de integração que deu origem ao SAMU SOCIAL nasceu da metodologia da ESCUTA CORDIAL, elaborada pela WidTech e desenvolvida, no âmbito dessa construção, pelo Coletivo Paulo Faria, pela CMP – Central de Movimentos Populares, pela CPT – Comissão Pastoral da Terra, pelo MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos e pelos Núcleos Cidadania Plena.
A escuta dos territórios permitiu perceber algo fundamental:
A VIDA DAS PESSOAS NÃO É DIVIDIDA EM SECRETARIAS.
Quem perde o emprego pode perder renda.
Quem perde renda pode enfrentar insegurança alimentar.
Quem enfrenta insegurança alimentar pode adoecer.
Quem não consegue pagar o aluguel pode sofrer despejo.
Uma criança dessa mesma família pode começar a faltar à escola.
Para essa família, não existem cinco problemas independentes.
Existe uma situação de vulnerabilidade que vai se agravando e atingindo diferentes dimensões da vida.
Por isso, o SAMU SOCIAL propõe que as políticas públicas aprendam a enxergar conjuntamente aquilo que as pessoas vivem conjuntamente.
IDENTIFICAR → CONECTAR → ANTECIPAR → ACIONAR → ACOMPANHAR
NÃO SUBSTITUIR. CONECTAR.
O SAMU SOCIAL não pretende substituir CRAS, CREAS, SUS, SUAS, segurança alimentar, habitação, educação, políticas para mulheres, idosos, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência ou políticas de trabalho e renda.
Ao contrário.
O princípio é reconhecer e fortalecer aquilo que já existe, criando condições para que essas políticas conversem entre si e funcionem como uma verdadeira rede de proteção.
O desafio é acrescentar a essa rede uma capacidade fundamental:
CHEGAR ANTES.
Antes que a perda de renda se transforme em fome.
Antes que o aluguel atrasado termine em despejo.
Antes que uma situação de fragilidade se transforme em abandono.
Antes que diferentes vulnerabilidades acumuladas produzam uma emergência social.
O ESTADO PRECISA APRENDER A ANTECIPAR.
Uma criança começa a faltar repetidamente à escola.
Uma família aumenta a procura por alimentação.
O aluguel começa a acumular atrasos.
Um idoso deixa de comparecer às consultas.
Uma trabalhadora perde sua principal fonte de renda.
Separadamente, essas situações podem chegar a diferentes políticas públicas.
Quando conectadas, porém, podem revelar algo muito maior:
UMA VULNERABILIDADE ESTÁ SE FORMANDO OU SE AGRAVANDO.
É nesse momento que a proteção pública pode fazer a diferença.
Não apenas respondendo depois que a emergência aconteceu, mas identificando os sinais e mobilizando a rede para tentar impedir que ela aconteça.
PRIMEIRO RECONHECER QUEM JÁ FAZ.
O SAMU SOCIAL não começa propondo criar tudo novamente.
Começa reconhecendo as capacidades existentes nos territórios.
O QUE JÁ EXISTE?
QUEM JÁ FAZ?
QUEM CONHECE ESSA REALIDADE?
ONDE A REDE ESTÁ FUNCIONANDO?
ONDE AS POLÍTICAS NÃO ESTÃO CONSEGUINDO SE CONECTAR?
O QUE PODERIA TER SIDO PERCEBIDO ANTES?
Servidores públicos, movimentos sociais, associações comunitárias, universidades, entidades, profissionais, lideranças populares e a própria população acumulam conhecimentos fundamentais sobre seus territórios.
Por isso, a participação popular não deve acontecer somente depois que uma política pública estiver pronta.
A PARTICIPAÇÃO POPULAR PRECISA FAZER PARTE DA CONSTRUÇÃO DA PRÓPRIA POLÍTICA.
DA ESCUTA CORDIAL À CONSTRUÇÃO COLETIVA.
A metodologia que sustenta essa proposta pode ser resumida em um caminho:
RECONHECER → ESCUTAR → CONSTRUIR → INTEGRAR → ANTECIPAR → AGIR → AVALIAR
Isso muda inclusive a maneira de dialogar com os territórios.
Em vez de chegar dizendo:
“Temos uma solução pronta para vocês.”
Começar perguntando:
“O que vocês já fazem?”
“O que vocês estão percebendo?”
“O que já funciona?”
“Onde a rede está falhando?”
“O que poderia ser percebido antes?”
“E o que podemos construir juntos?”
UM NOVO DESAFIO.
É justamente aqui que o SAMU SOCIAL encontra um importante ponto de diálogo com a trajetória pública de Patrus Ananias.
Sua atuação política foi marcada pela defesa de direitos sociais e por experiências relacionadas à integração de políticas de combate à fome, transferência de renda, assistência social, segurança alimentar e participação popular.
O SAMU SOCIAL coloca diante dessa trajetória um novo desafio:
COMO FAZER O ESTADO CHEGAR ANTES?
Como perceber que uma família está caminhando para uma situação extrema antes que ela chegue lá?
Como fazer educação, saúde, assistência social, habitação, segurança alimentar, trabalho e renda e outras políticas compartilharem responsabilidades em torno da mesma realidade?
Como transformar conhecimento territorial, participação popular, dados e experiência dos trabalhadores públicos em capacidade de antecipação?
O PAPEL DA MILITÂNCIA COMEÇA PELA ESCUTA.
Por isso, apresentar o SAMU SOCIAL não significa apenas divulgar uma proposta.
Significa continuar sua construção.
Significa conversar com quem conhece a realidade.
Identificar experiências.
Reconhecer capacidades.
Escutar trabalhadores e comunidades.
Registrar os problemas encontrados nos territórios.
Identificar onde as políticas não estão conseguindo se conectar.
E transformar esse conhecimento em construção coletiva de política pública.
Essa é também a essência da ESCUTA CORDIAL:
RECONHECER QUEM JÁ FAZ.
ESCUTAR QUEM CONHECE.
CONSTRUIR COM QUEM VIVE A REALIDADE.
INTEGRAR QUEM PODE RESPONDER.
ANTECIPAR ANTES DO AGRAVAMENTO.
O SAMU SOCIAL pode ser resumido em quatro movimentos:
DA FRAGMENTAÇÃO À INTEGRAÇÃO.
DA REAÇÃO À ANTECIPAÇÃO.
DA ESCUTA À CONSTRUÇÃO COLETIVA.
DA VULNERABILIDADE IDENTIFICADA À PROTEÇÃO ACIONADA.
E toda essa construção pode ser traduzida em uma ideia muito simples:
O ESTADO NÃO PRECISA ESPERAR A VIDA DESMORONAR PARA COMEÇAR A PROTEGER.
*Richard Widmarck Matheus Tinoco
Jornalista – DRT 18.335
Coordenador da Jornalistas Sem Fronteiras
Coordenador do Coletivo Paulo Faria
Diretor Executivo da Startup WidTech
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