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Domingo, 02 de Agosto 2026
Entretenimento

A Ilusão do Príncipe Coreano

O que acontece quando a cultura coreana se choca com o romantismo tropical?

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Por Rede Cidadania Digital
A Ilusão do Príncipe Coreano
Isabela Marques Naziazeno
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A era da TV por streams, diferente da TV por assinatura que nos mantinha de certa forma
dentro do continente americano, em termos de cultura, nos colocou diante dos demais
continentes e diante de países que antes apenas conhecíamos por nomes. E agora temos
acesso há um pouquinho mais das histórias, das culturas e dos romances, de povos turcos,
indianos, russos e meus favoritos os coreanos, chineses e japoneses.
Só que entre cultura coreana e fãs brasileiras sedentas por romance, tem um detalhezinho,
chamado CHOQUE CULTURAL.
Acho importante tomar cuidado em como a mentalidade brasileira prejudica o nosso
julgamento a respeito da cultura coreana. Na verdade, a respeito de qualquer outra cultura,
pois nós, enquanto brasileiros natos, desfrutamos de uma liberdade da qual muitas vezes
sequer temos consciência e que é intrínseca a nossa cultura ou a nossa mistura de culturas.
Como por exemplo, a liberdade de ser afetivo e caloroso mesmo com desconhecidos, a
liberdade de lidar com assuntos mais íntimos sem muitos tabus. Sexo ainda é um grande
tabu na cultura brasileira, porém é ainda mais tabu na cultura coreana. Mas este é assunto
para outra coluna.
Um bom exemplo para se trazer à tona, sobre como as nossas diferenças culturais impactam
o nosso julgamento, inclusive é um caso que eu esperei dar uma esfriada propositalmente,
porque é deveras polêmico, foi o drama envolvendo o ator Kim So Hian e a falecida atriz Kim
Se Hon. Porém, eu tento trazer sob uma ótica um pouco menos fabulosa.
Como já foi delongadamente exposto, a Kim Se Hon, uma atriz sul coreana, se des-vi-veu. E
o principal motivo teria sido seu conturbado relacionamento com o também ator Kim So
Hian. Além, de uma quantidade imensa de dívidas, que a atriz teria contraído com a
empresa de seu ex. A Kimserom, se tornou atriz muito cedo, com 15 anos, na época
também começou seu relacionamento com o Kimsohian. E já adulta, ela era responsável por
além de seu sustento, mas também o sustento de sua família. Se parece tudo normal pra
você até aqui, então é aí que a nossa ignorância sobre a cultura alheia contamina o nosso
julgamento.
Porque um menor de idade namorando, já seria errado também na cultura brasileira. MAS A
COREIA É SUPER CONSERVADORA. O relacionamento de uma adolescente com um adulto,

de forma alguma passaria despercebido para uma família tradicional coreana, que era o
caso da Kimserom. Esse é um ponto importante de se discutir. Pois no meu entendimento,
pe-do-fi-lia, não foi nem de longe o único abuso que ela, a Kimserom, sofreu. Apesar do
escândalo que envolve o jovem casal, ter massacrado apenas o Kimsohian (e com motivo),
mas e a família da jovem, que pelo se sabe a pressionava por conseguir novos contratos de
trabalho??? Um erro, exclui o outro?
A cultura coreana, na sutileza dos doramas e da alta performance dos idols, engana. Pois o
produto final que vemos nas telas, esconde uma pressão desumana por alta performance.
Byung-Chul Han, um notório coreano e autor do excelente “Sociedade do Cansaço”, nos
convida a refletir se estamos realmente livres, quando estamos na verdade presos a padrões
de desempenho tão altos, que nos tornamos nossos próprios algozes. É o que vejo nesse
caso da Kimserom, que além de ser abusada pelo Kimsohian, mas principalmente por sua
própria família, que tirou o proveito que pode dela em vida e não está medindo esforços
para tirar proveito da falecida também após. O Kimsohian, apenas encontrou na Kimseron
um alvo fácil, que já estava vulnerável, pelos possíveis abusos psicológicos que ela sofria da
própria família.
Kimseron não atentou contra a própria vida porque estava endividada, com um amor não
correspondido ou a falta de apoio familiar. O que leva as pessoas aos extremos, é a
sensação de tudo ou nada. A sensação de que a vida é uma reta contínua, da qual se deve
apenas subir. A falta de resiliência, para perceber que na verdade a vida é fluida e que
evoluir é nunca tomar decisões definitivas durante as tempestades.
Enfim, o assunto é longo e tenso e poderia render muito mais debate. Mas o que eu queria
enfatizar é que, mergulhar em outras culturas pode ser uma experiência riquíssima, se
raciocinada ao invés de só assistida emocionalmente.
Isabela Marques Naziazeno, bióloga, analista de gestão de qualidade e ativista política;
Instagram: @isabelamarqueszz 
Tiktok: isabelamarqueszzz

FONTE/CRÉDITOS: Isabela Marques Naziazeno

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