Nos últimos anos, as redes sociais ajudaram a colocar a saúde mental em evidência. Hoje,
falar sobre ansiedade, depressão, TDAH e autismo é muito mais comum do que era há alguns
anos. Isso representa um avanço importante: muitas pessoas passaram a reconhecer seus
sofrimentos e buscar ajuda.
Mas, ao mesmo tempo, um novo problema tem ganhado espaço: a banalização dos
diagnósticos.
Basta abrir qualquer rede social para encontrar vídeos que prometem identificar transtornos em
poucos segundos. “Se você faz isso, pode ter TDAH.” “Cinco sinais de que você é autista.”
“Todo mundo tem ansiedade.” Esse tipo de conteúdo costuma gerar muitas visualizações
porque desperta identificação. Afinal, quem nunca esqueceu um compromisso, se distraiu
durante uma conversa ou se sentiu ansioso antes de uma prova ou entrevista?
O problema é que nem toda característica, comportamento ou dificuldade representa um
transtorno. Sentir ansiedade faz parte da vida. Esquecer algo de vez em quando também.
Gostar de rotina ou preferir ficar sozinho não significa, por si só, que uma pessoa seja autista.
Os transtornos são condições complexas, que precisam ser compreendidos dentro da história
de vida, da frequência dos sintomas, da intensidade e dos impactos que causam no cotidiano.
Quando tudo vira diagnóstico, corremos dois riscos. O primeiro é fazer com que pessoas
passem a acreditar que possuem um transtorno sem uma avaliação adequada, gerando
preocupação, confusão e até sofrimento desnecessário. O segundo é banalizar a realidade de
quem convive diariamente com essas condições e enfrenta desafios que vão muito além de um
vídeo de poucos segundos.
Isso não significa que as redes sociais não possam falar sobre saúde mental. Pelo contrário.
Elas têm um papel importante na informação e na redução do preconceito. Mas informação
responsável não simplifica temas complexos, não substitui avaliação profissional e não
transforma diagnóstico em entretenimento.
Antes de compartilhar ou acreditar em um conteúdo, vale a pena fazer uma pergunta simples:
isso está me informando ou apenas tentando prender minha atenção?
Em tempos de excesso de informações, desenvolver um olhar crítico também é uma forma de
cuidar da saúde mental e de exercer a cidadania digital.
Eduarda Rocha
Colunista – Rede Cidadania Digital
FONTE/CRÉDITOS: Eduarda Rocha
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