A nova pesquisa AtlasIntel mostra um fenômeno eleitoral que merece atenção.
A eleição continua fundamentalmente estruturada em torno de Lula e Flávio Bolsonaro.
Mas alguma coisa começa a acontecer abaixo dos dois grandes polos.
Lula aparece com 43,4%.
Flávio Bolsonaro aparece com 33,7%.
Augusto Cury chega a 7,8%.
Renan Santos aparece com 7,6%.
Ronaldo Caiado registra 3,3%.
Pablo Marçal aparece com 1,9%.
Romeu Zema tem 1,0%.
Samara registra 0,9%.
O primeiro dado importante é que Lula e Flávio recuaram simultaneamente em relação à rodada anterior.
Lula passou de 44,9% para 43,4%.
Flávio passou de 35,8% para 33,7%.
Entretanto, a distância entre os dois praticamente permaneceu estável:
ANTES:
9,1 pontos.
AGORA:
9,7 pontos.
Portanto, a primeira conclusão é fundamental:
A POLARIZAÇÃO NÃO DESAPARECEU.
O que começa a aparecer é outra coisa.
Existe uma parcela do eleitorado procurando alternativas fora dos dois principais polos.
E Augusto Cury tornou-se, neste momento, um dos principais beneficiários desse movimento.
O FENÔMENO AUGUSTO CURY
Os 7,8% de Cury precisam ser observados com cuidado.
O número nacional é importante.
Mas sua composição eleitoral é ainda mais reveladora.
Cury alcança:
19,8% entre 25 e 34 anos.
12,1% entre 16 e 24 anos.
9,1% entre 35 e 44 anos.
2,6% entre 45 e 59 anos.
0,3% entre 60 anos ou mais.
Existe, portanto, uma enorme concentração entre os mais jovens.
Isso significa que Cury ainda não possui uma estrutura eleitoral nacional homogênea.
Sua candidatura possui, neste momento, uma característica muito clara:
FORÇA ENTRE JOVENS
+
FORÇA ENTRE INDEPENDENTES
+
FORÇA ENTRE ELEITORES SEM IDENTIDADE POLÍTICA CONSOLIDADA.
Por isso, a faixa preditiva para Cury durante setembro seria:
7% A 12%.
Considerando mais provável uma estabilização aproximadamente entre 8% e 10% do que uma subida automática para 15% ou mais.
Para romper essa barreira, Cury precisará transformar:
NOVIDADE
↓
VIABILIDADE ELEITORAL.
O GRANDE ALERTA ESTÁ ENTRE OS JOVENS
Existe um número ainda mais importante para a campanha Lula.
Entre os eleitores de 16 a 24 anos, a Atlas registrou uma movimentação muito expressiva.
Lula passou de:
36,8%
para
17,2%.
Flávio Bolsonaro passou de:
9%
para
30%.
Cury aparece com:
12,1%.
Uma mudança dessa magnitude precisa necessariamente ser confirmada pelas próximas pesquisas.
Uma única rodada não permite afirmar que ocorreu uma transformação estrutural.
Também não podemos concluir que os mesmos indivíduos tenham migrado diretamente de Lula para Flávio ou Cury.
Mas existe uma conclusão estratégica possível:
O ELEITOR JOVEM TORNOU-SE UM DOS TERRITÓRIOS MAIS FLUIDOS DA ELEIÇÃO DE 2026.
Se outras pesquisas confirmarem movimento semelhante, deixaremos de falar simplesmente em oscilação.
Passaremos a considerar uma possível tendência eleitoral.
TRÊS CAMPOS COMEÇAM A APARECER
A leitura Widtech identifica três grandes espaços.
CAMPO 1 — ELEITORADO LULISTA CONSOLIDADO
Cury possui apenas 0,1% entre os eleitores identificados como lulistas.
Isso demonstra enorme resistência desse núcleo à terceira candidatura.
CAMPO 2 — ELEITORADO BOLSONARISTA CONSOLIDADO
Flávio Bolsonaro possui aproximadamente 96,6% entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas.
Cury alcança apenas 0,9% nesse grupo.
Também existe enorme fechamento eleitoral.
CAMPO 3 — ELEITORADO DESANCORADO
É aqui que acontece o fenômeno mais interessante.
Cury alcança:
19,2% ENTRE INDEPENDENTES.
E aproximadamente:
29,1% ENTRE QUEM NÃO SABE DEFINIR SUA IDENTIFICAÇÃO POLÍTICA.
Portanto:
CURY NÃO ESTÁ, NESTE MOMENTO, DESMONTANDO O LULISMO.
CURY TAMBÉM NÃO ESTÁ DESMONTANDO O BOLSONARISMO.
Ele está tentando organizar uma parcela do eleitorado que não deseja se identificar completamente com nenhum desses dois campos.
Essa distinção é fundamental.
CURY × RENAN SANTOS
Outra eleição começa a acontecer dentro da eleição.
Cury aparece com:
7,8%.
Renan Santos:
7,6%.
Considerando a margem de erro, existe empate estatístico.
Mas as estruturas eleitorais são diferentes.
Renan possui inserção mais forte dentro de determinado eleitorado ideológico.
Entre a direita não bolsonarista, chega aproximadamente a:
27,7%.
Cury alcança nesse mesmo segmento:
11,6%.
Entretanto, Cury possui potencialmente outra vantagem.
Sua candidatura pode conversar simultaneamente com:
JOVENS
+
INDEPENDENTES
+
ELEITORES SEM IDENTIFICAÇÃO IDEOLÓGICA
+
ELEITORES CANSADOS DA POLARIZAÇÃO.
Minha predição é que setembro poderá produzir uma disputa paralela:
CURY
×
RENAN SANTOS
para descobrir quem será percebido como principal candidatura alternativa a Lula e Flávio.
Neste momento, vejo vantagem estratégica potencial para Cury porque seu espaço de crescimento parece menos ideologicamente delimitado.
O PROBLEMA DE LULA NÃO ESTÁ SOMENTE NO PRIMEIRO TURNO
Existe também um sinal importante no segundo turno.
No confronto contra Flávio Bolsonaro, Lula havia registrado anteriormente:
LULA 49,2%
FLÁVIO 42,9%.
Agora:
LULA 47,1%
FLÁVIO 42,6%.
A vantagem passou aproximadamente de:
6,3 pontos
para
4,5 pontos.
Existe outro número extremamente importante:
10,3%
estão entre branco, nulo e indecisos nesse cenário.
Portanto:
LULA
47,1%
FLÁVIO
42,6%
BRANCOS + NULOS + INDECISOS
10,3%.
Lula continua liderando.
Mas seu colchão eleitoral diminuiu.
A APROVAÇÃO DO GOVERNO É OUTRA VARIÁVEL
A pesquisa registra aproximadamente:
45,4% APROVAM.
52,9% DESAPROVAM.
Na avaliação geral:
37% consideram o governo ótimo ou bom.
51,1% consideram ruim ou péssimo.
Isso ajuda a compreender um fenômeno importante.
Lula possui uma base eleitoral extremamente resistente.
Mas encontra dificuldade para atravessar a fronteira dos 45% e caminhar em direção à maioria absoluta.
A questão estratégica passa a ser:
COMO EXPANDIR PARA FORA DO ELEITORADO JÁ CONVENCIDO?
FLÁVIO TAMBÉM POSSUI UM PROBLEMA DE TETO
A rejeição mostra outra característica decisiva da eleição.
Flávio Bolsonaro:
aproximadamente 52,7%.
Lula:
aproximadamente 52%.
OS DOIS PRINCIPAIS CANDIDATOS POSSUEM REJEIÇÕES MUITO ELEVADAS.
Isso cria aquilo que podemos chamar de:
DUPLA BARREIRA ELEITORAL.
Lula encontra dificuldades para romper determinado teto.
Mas Flávio também encontra enorme dificuldade para transformar todo o eleitorado contrário a Lula em eleitorado próprio.
E exatamente entre essas duas barreiras aparece espaço para:
CURY
+
RENAN
+
OUTRAS CANDIDATURAS.
PREDIÇÃO WIDTECH PARA SETEMBRO
Trabalho neste momento com os seguintes intervalos analíticos:
LULA
42% A 45%.
Tendência:
manutenção da liderança, mas necessidade de recuperar capacidade de expansão.
FLÁVIO BOLSONARO
32% A 35%.
Tendência:
núcleo bolsonarista extremamente consolidado, mas dificuldade para ampliar fortemente além desse campo.
AUGUSTO CURY
7% A 12%.
Tendência:
possibilidade de crescimento principalmente entre jovens, independentes e eleitores desancorados.
RENAN SANTOS
6% A 9%.
Tendência:
consolidação dentro de segmentos ideologicamente mais definidos da direita não bolsonarista.
IMPORTANTE:
Esses intervalos NÃO são resultados de pesquisas futuras.
São faixas preditivas construídas a partir da trajetória observada e precisam ser recalibradas conforme novas pesquisas forem publicadas.
O CENÁRIO MAIS PROVÁVEL
Neste momento, continuo considerando:
LULA
X
FLÁVIO BOLSONARO
como o cenário mais provável de segundo turno.
Cury ainda está muito distante dos dois líderes.
Portanto, falar agora em substituição de Flávio por Cury seria prematuro.
Mas existe uma segunda disputa extremamente importante acontecendo:
QUEM REPRESENTARÁ O ELEITOR QUE NÃO QUER LULA NEM FLÁVIO?
É nesse território que Cury começa a crescer.
A GRANDE QUESTÃO PARA LULA
O crescimento das candidaturas alternativas não precisa necessariamente ser interpretado apenas como ameaça.
Ele também fragmenta o eleitorado contrário ao governo.
Flávio possui enorme domínio sobre o eleitor bolsonarista.
Mas não possui o mesmo domínio sobre toda a direita não bolsonarista.
Isso significa que Cury e Renan também dificultam a transformação automática de todo voto anti-Lula em voto Flávio.
Portanto, a questão estratégica para Lula não é necessariamente transformar todos os independentes em lulistas.
É impedir que todo o eleitorado insatisfeito seja organizado pelo adversário.
E existe um caminho particularmente importante para isso:
A VIDA MATERIAL.
TRABALHO.
SALÁRIO.
PREÇO DOS ALIMENTOS.
MORADIA.
SAÚDE.
EDUCAÇÃO.
TRANSPORTE.
TEMPO.
SEGURANÇA.
TECNOLOGIA.
FUTURO.
O eleitor pode não querer discutir identidade ideológica.
Mas inevitavelmente possui uma vida concreta.
PREDIÇÃO WIDTECH
POLARIZAÇÃO PERMANECE
↓
LULA E FLÁVIO CONSERVAM GRANDES NÚCLEOS
↓
APARECE ELEITORADO DESANCORADO
↓
CURY CAPTURA PARTE DESSE ESPAÇO
↓
RENAN DISPUTA OUTRA PARTE
↓
JOVENS TORNAM-SE TERRITÓRIO ALTAMENTE COMPETITIVO
↓
REJEIÇÕES LIMITAM OS DOIS FAVORITOS
↓
SEGUNDO TURNO PERMANECE PROVÁVEL
↓
SETEMBRO TESTARÁ A CONSISTÊNCIA DA TERCEIRA VIA.
Minha hipótese central é:
A ELEIÇÃO AINDA É ESTRUTURALMENTE LULA × FLÁVIO.
MAS UMA SEGUNDA ELEIÇÃO COMEÇOU POR BAIXO DA PRIMEIRA.
É A DISPUTA PELO ELEITOR DESANCORADO.
Augusto Cury conseguiu, nesta rodada, transformar-se em um dos principais personagens dessa disputa.
Agora vem o teste.
Se as próximas pesquisas mostrarem Cury novamente crescendo ou sustentando patamar próximo ou superior a 10%, teremos evidência crescente da formação de uma terceira força eleitoral.
Se retornar para aproximadamente 5%–7%, provavelmente estaremos diante de um efeito parcialmente produzido pela exposição do debate e pela novidade.
E existe um indicador que considero ainda mais importante:
OS ELEITORES DE 16 A 34 ANOS.
Se a perda de Lula nesse segmento for confirmada por diferentes institutos, esse será provavelmente um dos principais sinais de alerta de sua campanha.
Por isso, minha máxima preditiva para a próxima rodada é:
NÃO OLHE APENAS PARA QUANTO CURY CRESCEU.
OLHE PARA QUEM ESTÁ SE MOVENDO.
Porque eleições não mudam quando aparece simplesmente um número novo.
Elas mudam quando um grupo social importante começa a procurar uma nova direção.
Richard Widmarck Matheus Tinoco
Jornalista - DRT 18.335
Coordenador do Coletivo Paulo Faria
Coordenador da Startup WidTech
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