Na minha primeira coluna nós já fizemos as pazes com a palavra burocracia. Na coluna de
hoje vamos fazer as pazes com o ensino de base e nos questionar um pouco sobre como o
brainrot tem nos impedido de perceber a relevância do nosso modelo de educação, como
ela é na base.
Você já deve ter assistido a muitas reclamações, sobre o ensino de base talvez não ter mais
capacidade de suprir as necessidades profissionais práticas da atualidade. Mas você já se
perguntou a quem interessa que o ensino de base seja questionado e até menosprezado?
Eu me formei em uma escola pública aqui da região metropolitana de BH. E, sendo uma
criança hiperativa, não gostava dos estudos na infância. Mas nunca fui negligente. Como
muitos dos parentes de vocês, os meus também me diziam que conhecimento é tudo que a
gente tem.
Mas com o conhecimento que eu tenho hoje, posso afirmar com certeza que assiduidade
com os estudos, não se trata apenas de intelecto, mas também e principalmente de saúde.
Pois da mesma forma que os exercícios para o corpo (exercícios de força e aeróbicos) são
para a saúde do corpo, se existe uma academia para o cérebro, por certo que ela está na
matemática e na literatura. Por tanto, fiquem de uma vez por todas em paz com a fórmula
de bhaskara. Você nunca vai usá-la na vida adulta porque não é necessariamente este o
propósito para ela. Você estuda fórmulas complexas na infância, para aproveitar a
plasticidade cerebral infantojuvenil, para tornar seu cérebro apto para o raciocínio.
Da mesma forma a literatura. Para se tornar um adulto capaz de fazer leituras completas ou
mesmo se você já for um adulto com certa dificuldade manter o hábito. Este é um hábito
que se constrói lendo O QUE GOSTA. Não importa neste momento o quão fútil seja. A
verdade que a sociedade acadêmica tem dificuldade de aceitar, é que uma sociedade sem
qualquer intimidade com a literatura, não vai deixar de lê coaching simplesmente porque eu
ou qualquer outra pessoa reprovamos. Leiam o que vocês gostam, porque essa é a melhor
forma de manter esse hábito.
Também penso que é importante refletir a respeito da relevância da configuração do ensino
médio. Que por sinal, é a mesma a umas 4 gerações. É deveras cansativa ir todos os dias
presencialmente. Na verdade, a escola é nosso 1º trabalho. Porque não online? Porque não
pode usar telefone durante? Porque não em modelo híbrido?
Muito embora o MERCADO DE TRABALHO coloque nos nichos mais jovens (através de
outros jovens inclusive) a pressão para se atravessar logo os estudos, para estarem enfim
disponíveis para servir ao mercado. Na verdade, o nosso formato de escola não foi pensado
para servir exclusivamente ao mercado de trabalho. O ensino médio existe nesta
configuração, para, acima de tudo, preparar enquanto for jovem, para A VIDA EM
SOCIEDADE. A vida em sociedade inclui vida familiar, vida acadêmica, vida política
(CIDADANIA), convivência e vida profissional, etc. E isso obviamente, a vida em sociedade
requer que se esteja presente, pessoas ao vivo e a cores, para que dessa forma a vida
digital reproduza a vida presencial e não o contrário.
Quando eu penso dessa forma, a única coisa que me vem à mente é que 4 horas por dia de
escola ainda é pouco para suprir futuros adultos de conhecimentos de literatura, ortografia,
geopolítica, filosofia, ciências, artes, IA e ainda exercitar corpo e mente.
Em época de Brainrot, minha missão para esta coluna, foi tentar trazer um pouco mais de
esclarecimento e relevância para um assunto tão banalizado, quanto os estudos de base.
Por: Isabela Marques Naziazeno, bióloga analista de gestão de qualidade e ativista política;
Instagram: @isabelamarqueszz
Tiktok: isabelamarqueszzz
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