O Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) – Campus Araçuaí recebe, no dia 30, a exposição “Zona de Sacrifício: do Ouro ao Pó”, da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros. A mostra reúne registros produzidos ao longo de anos de pesquisa no Vale do Jequitinhonha, território que concentra a maior reserva de lítio do Brasil.
O país ocupa atualmente o 6º lugar no ranking mundial de reservas do mineral, considerado estratégico para a transição energética global e essencial na fabricação de baterias para carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia. Cerca de 85% das reservas brasileiras estão no nordeste de Minas Gerais, região que se tornou alvo central de mineradoras nacionais e multinacionais.
A crescente disputa por minerais críticos, como lítio, cobalto e níquel, intensifica a pressão sobre territórios ricos em recursos naturais. No Brasil, o Vale do Jequitinhonha protagoniza essa nova corrida mineral, levantando debates urgentes sobre os impactos sociais, ambientais e climáticos da exploração.
A exposição propõe ampliar o debate público sobre o modelo de desenvolvimento baseado na extração intensiva. A série questiona como a promessa de uma economia “verde” convive, na prática, com a degradação ambiental, a pressão sobre recursos hídricos e as ameaças aos modos de vida de comunidades rurais e tradicionais.
“Nos últimos anos tenho acompanhado de perto o avanço da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha, um território que aprendi a amar profundamente por sua cultura, pelas pessoas e pela força das comunidades que vivem ali. O que me inquieta é ver como essa nova corrida mineral tem sido apresentada como parte de uma ‘transição energética verde’, enquanto no território o que aparece são poeira, explosões, pressão sobre a água e impactos diretos na vida das pessoas. Isso levanta perguntas inevitáveis: mineração sustentável para quem? mineração verde para quem? Como falar em mineração verde quando ela deixa rastros tão visíveis de destruição ambiental e de ameaça aos modos de vida locais? Esta exposição nasce dessa inquietação e da necessidade de tornar visíveis histórias e conflitos que muitas vezes permanecem invisíveis para o restante do país”, afirma Isis Medeiros, fotógrafa e artista visual.
O projeto fundamenta-se no conceito de "zonas de sacrifício" — áreas onde a exploração econômica é priorizada em detrimento da vida e do meio ambiente. Historicamente marcado por ciclos que vão do ouro ao diamante, o Vale do Jequitinhonha reencontra-se no centro de uma disputa global.
Além das fotografias, a programação inclui debates e rodas de conversa com pesquisadores, estudantes e moradores, fomentando o diálogo sobre justiça ambiental e soberania. O projeto integra o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia e, após Araçuaí, seguirá em itinerância pelo Brasil ainda em 2026.
Serviço: Exposição: Zona de Sacrifício: do Ouro ao Pó
Artista: Isis Medeiros
Local: Auditório – Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (Campus Araçuaí)
| Araçuaí –Vale do Jequitinhonha - MG
Programação: 30/03 (Segunda-feira) – às 08h: Abertura da exposição + debate.
31/03 (Terça-feira) – às 19h: visita guiada à exposição + Peça de Teatro - ZONA DE SACRIFÍCIO, uma obra de teatro de Carolina Correa, Direção e Dramaturgia de Lara Duarte. Entrada Franca